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A volta do junho de antigamente.

Aos poucos começo a sentir as festas juninas voltando. E não é um delírio desses

que vem de uma vontade própria tão intensa que pode enganar. Existem exemplos de

movimentos semelhantes de recuperação, tanto espontâneos quanto por determinação de

grupos ou pessoas. Lembro do Jorge Amado conclamando o Brasil para salvar a Irmandade

da Boa Morte em Cachoeira na Bahia. E tive a oportunidade de estar com a Irmandade

justo no funeral do escritor baiano. Já que estou por essas bandas, também Gilberto Gil fez

algo parecido com os filhos de Gandhi, que estavam numa situação de desmantelo total, e

hoje enchem de cor branca as avenidas no carnaval.

Não sei. Talvez o forró universitário, tão mau recomendado pela crítica, tenha dado uma

contribuição decisiva. O fato é que os sinais são fortes. Estamos sonhando em ter uma

programação própria para estas festas como eram antigamente.Tudo muito rico cultural e

esteticamente. Música, comida, e roupas próprias, um acontecimento importante.

E não acho que seja esta uma tendência isolada. Sinto que a pluralidade cultural do

Pais, começa a ser vista como riqueza. E antes tarde do que nunca. Porque no tempo do

regime autoritário, aquela revolução militar, tentaram fabricar uma cultura híbrida para

todo o Brasil, usando a televisão para unificação da linguagem. O direito a diferença era

visto como vozes do passado, ou mais grave ainda, um interesse subversivo de bagunçar o

progresso pátrio.

Agente tem que conviver a cada momento com a burrice de plantão. Ainda bem que de

vez em quando nos animamos com um sinal como esse. A volta do junho de antigamente.

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