Pular a navegação e ir direto para o conteúo.

“Cidade Limpa passou batido pela imprensa”

O jornalista Leão Serva fala por que decidiu
escrever uma grande reportagem sobre o projeto

A imprensa não exerceu seu melhor senso histórico ao avaliar o Projeto Cidade Limpa e o tratou de forma imediatista. Essa é avaliação do jornalista e atual assessor de imprensa da prefeitura Leão Serva, que para tentar suprir a lacuna decidiu escrever uma grande reportagem sobre o tema. O resultado está em Cidade Limpa – o projeto que mudou a cara de São Paulo, livro que ele aborda desde os aspectos históricos que levaram à sua implantação aos resultados colhidos num prazo curto de tempo. Aqui ele fala da experiência e esmiúça o projeto com a visão privilegiada de quem participa dos bastidores administração pública.

Como surgiu a idéia para escrever uma grande reportagem sobre o Cidade Limpa?

No trabalho cotidiano na Prefeitura e diante da constatação de que a imprensa não exerceu seu melhor senso histórico ao avaliar a Lei Cidade Limpa. A imprensa tratou a evolução da tramitação e da implantação da lei sempre com uma visão imediatista, dando muito destaque aos “cães que ladram” e pouco para o fato de que a caravana não parou de passar em nenhum momento.

O intuito do livro do Sr. é de sanar as falhas na cobertura da imprensa?

Depois que a lei foi implantada, a imprensa passou a dar uma cobertura discreta, muito por força de sua tendência de não destacar as boas notícias. Por fim, ao terminar o ano de 2007, eu percebi que em seguida não iria mais tratar do tema, tampouco, porque o ano seguinte seria eleitoral. Portanto, havia uma lacuna a ser preenchida nas estantes brasileiras. E decidi fazer essa pequena história da lei. Sei que nos próximos meses e anos vão ser publicados muitos livros e teses sobre o assunto, mas trabalhos de natureza acadêmica, no Brasil e fora. Mas o estudo acadêmico tem uma velocidade mais lenta e por isso a lacuna persistia e eu decidi preencher.

Qual a participação efetiva do prefeito Gilberto Kassab no projeto?

O projeto Cidade Limpa é uma iniciativa pessoal do prefeito Kassab, logo que assumiu a Prefeitura, como uma resposta às dificuldades que a administração (como ocorreu no passado, com as administrações anteriores) teve para debelar o crescimento da poluição visual.

Falando sobre a questão ambiental, quais foram as outras ações da Prefeitura?

Ainda no início de 2007, entraram em vigor as novas regras para publicidade sonora, que reduziram substanciamente essa forma de poluição. E a Prefeitura tem sido intransigente no combate aos casos de denúncia levados pelos moradores ao PSIU, combatendo essa outra forma de poluição sonora.
Em 2007, teve início o projeto Córrego Limpo, em que o município trabalha na recuperação dos córregos (com canalização em alguns casos ou criação de parques lineares, em outros) e urbanização das favelas de seu entorno, ao mesmo tempo em que a Sabesp (governo estadual) trabalha com captação e tratamento de esgotos da região, reduzindo a poluição dos córregos da cidade. Esse projeto busca trabalhar cerca de 20 córregos por ano (a cidade de São Paulo tem cerca de 400 córregos). Há muitas outras iniciativas contra a poluição das águas também no Tietê (com a negociação com os municípios vizinhos para que tratem seus esgotos antes de jogá-los no Tietê e no Tamanduateí).

E no caso da poluição atmosférica…

No caso da poluição do ar, a cidade de São Paulo foi a primeira cidade do mundo a conseguir créditos de carbono, conforme o protocolo de Kioto, graças ao projeto de captação de gás metano dos aterros sanitários, o que viabilizou a redução da poluição do ar por esse gás (25 vezes mais poluente do que o gás carbônico). E o gás captado está sendo transformado em energia elétrica suficiente para abastecer uma cidade de 700 mil habitantes. Em outra frente, a cidade adotou finalmente a inspeção veicular ambiental, que este ano está inspecionando todos os veículos a diesel e a partir do ano que vem toda a frota de automóveis de São Paulo, devendo alcançar uma redução de 30% na emissão de poluentes pela frota de carros da cidade, em cerca de 3 ou 4 anos.

Deixe um comentário